quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O estado do futebol feminino: a opinião de quem lida de perto com a modalidade

"O preconceito de que o futebol é para homens é obsoleto.": é esta a opinião de Diogo Pacheco, treinador de uma equipa de futebol feminino da II Divisão Nacional (Grupo Desportivo Incansáveis). "Cada vez mais se prova que o futebol nao é só para homens. A realidade é que dá para conjugar os dois sexos, tanto no interior do campo como no exterior.", considera. Por muito redundante que pareça, Diogo Pacheco é da opinião que a principal diferença entre o futebol masculino e o feminino é mesmo o sexo e não questões técnicas ou tácticas. "A nível de futebol jogado não há uma grande diferença. Os homens têm por natureza mais força física, isso é óbvio, mas a nível táctico e técnico não vejo grandes diferenças", explica. Para Diogo Pacheco, só a igualdade de oportunidades poderá trazer uma igualdade na qualidade futebolística.
Questionado sobre o estado do futebol feminino no mundo, Diogo fala em casos muito diferentes: "
há países em que o futebol feminino já está muito desenvolvido, como é o caso da Inglaterra com um grande número de equipas femininas; noutros países, dá apenas os primeiros passos, há ainda muito a fazer para que o futebol feminino se torne uma modalidade de referência".
Focando-se especificamente no caso português, Diogo Pacheco aponta o dedo ao reduzido número de equipas. "
Faltam equipas que apostem no futebol feminino. Só assim a modalidade pode crescer, só assim as atletas podem evoluir, só assim terá possível termos mais e melhores atletas para reforçar a selecção nacional."
O jovem treinador de 23 anos destaca ainda a importância de apostar na divulgação e em formas de conseguir chamar mais público para a modalidade. "
O futebol feminino não tem relevo a nível nacional. Essa é a realidade nua e crua. Mesmo as melhores equipas nacionais, quando defrontam equipas europeias na «Liga dos Campeões do futebol feminino» não conseguem uma transmissão televisiva. Enquanto não se apostar na divulgação, vai ser muito difícil conseguir adeptos para a modalidade."
Apesar das dificuldades, Diogo Pacheco continua a acreditar num futuro risonho para o futebol feminino, desde que "haja quem queira proporcioná-lo".



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